São emoções, expressões, actos, responsabilidade, amor, é tudo…
Acredito que a vida no kenpo é semelhante à vida em casa, como nos costumam dizer: “a primeira coisa que fazemos quando chegamos ao treino (casa) é cumprimentar o si tai gung e sifu (avós), sibak’s (pais) e só depois cumprimentar o resto dos alunos (só depois brincar com os irmãos), á medida que o tempo vai passando mais responsabilidade e trabalho vamos tendo, seja em casa, no kenpo ou mesmo na escola.
Mas o que é ser cinto negro? Qual é a sensação? Não sei, mas talvez tenha sido essa sensação que desde o primeiro dia procuro, sentir que ninguém nos pode parar, que está tudo em cima de nós a fazer pressão, sentir que NÓS NÃO DESISTIMOS. E pensar que esse momento está mesmo á minha frente que está prestes a ser concretizado, depois de tanto suor, lágrimas e sangue, depois de TANTOS ANOS!
Não vou negar que muitas vezes já me ocorreu que seria tudo mais fácil se não andasse no kenpo, mas na vida nada é fácil e tudo tem um porquê.
Quando se é cinto negro tudo muda, um Kata nosso, alunos nossos ás vezes damos tanto de nós ao kenpo que até nos esquecemos das nossas coisas, dos nossos treinos pois a única coisa que conseguimos pensar é neles, neles, neles. E agora já não consigo viver parte da minha vida sem isto, tornou-se o meu vício, o meu abrigo, um sítio onde podemos descarregar sem sermos repreendidos, desabafar sem sermos julgados e aprender sem sermos gozados. Já não consigo viver sem fazer as programações para as aulas com os miúdos, ver a alegria deles a fazer defesa pessoal, a fazer o momento da partilha até mesmo a fazerem as brincadeiras do costume…
Estar no kenpo faz-me sentir bem, é um sentimento que não consigo explicar é algo que ninguém consegue sentir se não estiver lá a senti-lo, às vezes chego a casa e digo á minha mãe: “ai há tanto tempo que o si tai gung não me batia assim” e ela não percebe. Desde pequena que tenho em mente “se o si tai não nos bater é porque está chateado connosco” é estranho eu sei mas eu gosto desse estranho.
“Mas um cinto negro não é só um cinto preto?”, não, não é! É uma certeza de que aquilo que estou a fazer esta correcto, imensas certezas que o caminho que eu escolhi é o melhor…
Dou por mim em casa a tentar com que o meu irmão faça o joelho ao chão como deve de ser, com a mão esquerda em garra forte em cima do joelho, a mão direita fechada no chão, dou por mim a dar tudo o que tenho, tudo o que sei do kenpo ao meu irmão tal como a um aluno!Ser cinto negro para além da responsabilidade é também uma bênção, pois eu sei que com a minha idade ter um cinto negro seja júnior ou não, é muito. Por isso é que eu me esforço ao máximo e dou tudo o que tenho de mim não só no treino mas em todo o sítio em que esteja a “ohana”, porque afinal é mesmo esse o significado da ohana: família, e na família ajudam-se uns aos outros.
martafilipa
Realmente técnica, força, rapidez, flexibilidade e tudo o resto são muito importantes a um cinto negro. contudo, tendo todas essas maravilhosas qualidades físicas, e um espírito pobre de nada serve. Toda a humildade, amor, esforço (mesmo quando n se consegue), suor ( e até lágrimas)são tão ou mais importantes q as qualidades físicas. O equilíbrio é a chave de qualquer arte marcial ( muitas vezas até da vida), e tenho a certeza que o kempo n é excepção! Parabéns Marta!
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