segunda-feira

idosos ou velhos?


Eu acredito que as pessoas idosas são especiais, são de valor e nós precisamos delas tal como elas também precisam de nós. Fazer voluntariado num lar de idosos nunca é monótono, temos sempre algo diferente todos os dias, um sorriso, um abraço, uma pergunta, um elogio, um carinho, qualquer coisa. O que me motiva? TUDO! O facto de chegar ao lar e ser cumprimentada por todos os que me vêm muda tudo, o facto de ouvir “nunca mais a vi, já tinha saudades” ou “na última semana não veio, sentimos a sua falta”, pensando que não, motiva muito nós sabermos que fazemos a diferença e eles também saberem que fazemos a diferença. Nós criamos a nossa própria motivação – fazemos com que o sorriso deles seja maior e melhor e isso vai fazer com que estejamos motivados, isso só chega para mim!
Há quase 3 anos atrás decidi entrar num novo capítulo da minha vida, decidi fazer a diferença, não para ser reconhecida nem para ser recompensada, apenas para reconhecer e recompensar quem tanto passou e fez por nós há tempos e que agora é deixado para trás por colegas e até família, alguns capazes, outros menos capazes, mas todos eles têm a sua história, o seu amor, as suas famílias. E custa-me ver e saber que são outras pessoas como os voluntários que têm que dar esse amor aos que precisam e tanto querem mas não têm (não que seja de má vontade mas, familiares são sempre familiares). Quantos de nós queremos chegar à idade da velhice com alguém que simplesmente se preocupa connosco e que quer saber de nós, se agora que somos independentes faz falta, imaginem quando já não conseguirmos dar um passo sem a nossa bengala. Então porque maltratamos, deixamos e não nos importamos com aqueles que lutaram para termos a vida melhor que a deles? Seja marido, filhos, amigos, família, alguém de que gostamos ao nosso lado. Eles podem não ter a capacidade para saltar, correr, gritar ou mexer no computador/telemóvel (alguns deles até têm o telefone a tocar e nem sabem) mas, têm a capacidade que mais falta neste mundo a todos: o saber, a memória… Não há nada que dê mais prazer que ouvir as palavras “No meu tempo…” A nossa companhia para eles é mais importante do que julgamos. Idosos são muito semelhantes às crianças, de vez em quando precisam de carinho, de atenção, que ralhem e que brinquem com eles. Não podemos é ver as incapacidades como uma coisa má, é só uma coisa menos boa. Por exemplo, no Lar há uma senhora que tem doença alzheimer e todos os dias que vou ao lar, nós as duas temos uma conversa, eu chamo-a e ela pergunta-me como sei o nome dela, eu digo que adivinhei e ela pergunta “ Que idade é que você me dá?” e eu como já sei que é 84 digo sempre 70, ao que ela me responde exactamente sempre assim: “84, há muito tempo que passei os 70, estudei até à 4ª classe, depois tive que ir trabalhar” eu oiço sempre, até que quando lá vou outra vez a história se repete e não, não se torna monótono porque eu sei e noto que a cada dia o sorriso dela é diferente e melhor!
A mensagem que quero passar é somente a boa, mas é claro que também existem coisas menos boas, há aqueles idosos mais “revoltados” com a vida, ou porque o marido morreu, ou porque já está “velho demais para se mexer”. Os piores momentos que me aconteceram enquanto voluntária (apesar de nunca ter pensado nisso) foram, talvez, a morte de um senhor com quem me dava bem, ou às vezes quando algumas das senhoras nos tratam de diferente forma (mas aí corrigem-se logo umas às outras, felizmente), o mais difícil é acompanhar alguns deles a descair, a ficar pior, a adoecer, aí sentimos a dor um pouco a triplicar, por eles, por nós e pela família.
 É muito bom vê-los a crescer, notar as suas evoluções e perceber que o carinho que sentimos por eles é devolvido! Tanto nós ensinamos coisas a eles, como eles a nós e acreditem ou não, aprendemos mais nós que eles! Com eles aprendi que o que é velho, dura… Aprendi que o nosso corpo e o nosso coração aguentam muitas dores físicas e psicológicas… E o que eu aprendi de mais importante foi a aprender a usar isso tudo na minha vida!
Gostaria que no futuro, toda a gente pensasse como eu penso e que todos vissem as coisas da maneira simples que eu vejo. Para quê responder mal aos avós ou pais quando até foram eles que sempre estiveram ao nosso lado mesmo que meio mundo nos tivesse virado as costas! Gostava também de fazer perceber e distinguir que: velho é algo que já não está em uso, fora de moda e gasto; idoso é uma pessoa que já tem alguma idade. Portanto não insistam em chamar a um idoso algo gasto!
O importante é pensar que em cada 2 idosos que são deixados sozinhos, 3 pessoas se voluntariam para ajudar! 



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